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Giane Maria de Souza - publicações e produções
terça-feira, 25 de fevereiro de 2025
terça-feira, 3 de julho de 2012
retratos da anticidade
Terminal de ônibus de Joinville - cenário de muitos rostos e muitos trabalhadores que caminham apressados para o trabalho.
Praça da Bandeira - equipamento público, em frente ao Terminal de Ônibus - fundada em 1951, foi batizada de Praça dos Imigrantes, por abrigar monumento confeccionado pelo artista Fritz Alt. Esse será o local da Coletiva dos Não Artistas.
Quantas histórias há por trás desse carrinho de pipoca???
Muitos trabalhadores utilizam a Praça da Bandeira para caminhar, atravessar o centro, chegar ao terminal de ônibus, ou simplesmente, deixar o tempo passar, sentado no banco da praça.
Compro ouro! Como será a vida desse trabalhador ambulante, como será seu trabalho, como ele percebe a cidade? Será que a cidade o vê?
Jóias, quanta prata, quanto ouro, o que existe além do brilho do metal?
Retratos de quem vende, retratos de quem compra, como é trabalhar na cidade, na rua?
Torresmo, maçã do amor, milho verde, paçóquinha, amendoim, coco queimado, quantas guloseimas! quem os faz, de onde vem?
Como é trabalhar no centro de uma grande cidade, há respeito, igualdade e solidariedade?
Como são tratados os trabalhadores de rua, que muitas vezes invísiveis, tornam-se autistas socias, invisíveis no meio da multidão.
O trabalho na cidade, como o trabalhador vê a cidade.
Desde criança ouço o vendedor de picolé chegando nas minhas memórias. E essa senhora vendedora de picolé no centro da cidade, como a cidade a trata, a vê, a acolhe?
Quais os malabarismos do trabalhador palhaço?
A vendedora que não enxerga e vende balas no centro da cidade, e a cidade que acha que tudo vê, a percebe?
Em frente à Alameda Brutslein, ou Rua das Palmeiras, ou RDP - para a rapaziada do centro, nos tempos áureos lugar de gente rica, com posses, hoje, centro histórico em revitalização. E as pessoas, e a paisagem urbana, como revitalizamos aqueles que trabalham na cidade e para a cidade?
Churros docinhos e quentinhos, o doce de leite escorre pelos dedos das crianças. Quem faz, qual a relação que a cidade estabelece com o vendedor de churros? O que seria dele sem as crianças que passeiam com as mães pelo centro e pedem: quero churros, mamãe!
Algodão doce, como será a vida de quem trablha vendendo algodão doce, será alegre, leve e doce?
Por trás de cada barraquinha, uma história de vida, uma história de trabalho, de alegrias e tristezas, que a cidade aos poucos revela.
Maça do Amor, quem faz, quem compra, quais os sabores que a vida apresenta para quem vive na cidade vendendo doces?
Trimania, quem vende sorte, vive de sorte, de incertezas?
Um imã de geladeira, uma lembrancinha, um agrado, uma gentileza, isso é arte????? Talvez não seja, mas o que dona Marlene tem a falar sobre a cidade que vive e trabalha. Em uma coletiva de não artistas, nada é arte, tudo é arte, tudo é êfemero, tudo é eterno como um imã de geladeira.
Todas as fotos são de autoria de Giane Maria de Souza
quinta-feira, 28 de junho de 2012
Coletiva de não artistas
Projeto cultural coletivamente financiado
Proponente: Giane Maria de Souza
Experiência urbana (mapeamento da cidade a partir de quem vive nela)
Coletiva dos não artistas
Uma ode a Baudelaire – o retrato da anticidade
Justificativa: O poeta maldito Baudelaire,
quando caminhava pela cidade de Paris, via a capital francesa com os olhos de
um estrangeiro, porque a mesma, ao mesmo passo que crescia e atraia muitos
habitantes expulsava uma grande parcela da população. Assim, se criam nas
grandes cidades, as anticidades repletas de mazelas sociais. Quem vive e
trabalha na cidade, muitas vezes torna-se invisível ou estrangeiro dentro dela.
Joinville, não difere das cidades que se espalham pelo mundo com seus poetas
malditos, porém, este projeto privilegia aqueles, que muitas vezes são só
considerados malditos, não são considerados poetas. Os trabalhadores de rua na
sua batalha diária de sobrevivência são os maiores artistas da cidade. Por
isso, uma coletiva de não artistas.
Público participante da experiência urbana:
Serão convidados 10 trabalhadores de rua (pipoqueiros, prostitutas, vendedores
de quinquilharias, pedintes, indígenas, catadores de papelão, garis, travestis entre
outros personagens urbanos da cidade de Joinville.
A cada um deles será entregue uma tela 90X70 cm, pincéis e tintas e um cavalete. A praça da Bandeira, inaugurada em 1951 como Praça do Imigrante, foi durante muito tempo símbolo de progresso para a cidade de Joinville, nela será realizada uma experiência urbana de gente que não é, nem nunca pensou ou foi artista. Em distintas horas do dia, os trabalhadores retratarão a cidade em suas incongruências, labirintos, trejeitos, alegrias, tristezas, belezas entre outros olhares. Cada participante desenhará a cidade do jeito que a vê, do jeito que a sente, do jeito que a cidade lhe trata por intermédio da sua experiência urbana.
Trabalhadores informais ou formais, do centro da cidade, que ocupam diariamente funções muitas vezes invisiveis serão convidados para uma experiência urbana da Coletiva de Não Artistas e receberão no final da atividade uma recompensa. Não haverá preparação e antecedência programada, o que irá contribuir para a espontaneidade da atividade.
O resultado será a produção de um vídeo experimental que retratará a abordagem, processo de criação das obras e entrevistas com os personagens urbanos protagonistas da experiência urbana.
8:h00 – Vendedor de milho;
09:h30 - Senhora que vende alho na
frente da caixa econômica federal
10:h30 – Gari;
11:h30 - Mãe Guarani;
14:h00 - Pipoqueiro
15h:30 – Senhora que
vende imãs de geladeiras;
16:h30 – Catador de papelão;
17:h30 – Senhora que vende trimania;
19:h00 – Prostituta;
20:h00 – Travestis.
Todas as obras da
Coletiva dos não artistas serão
expostas na Estação da Memória e leiloados posteriormente. O valor final
custeará a produção de um documentário.
Logística:
1)
Será necessário para a produção da Coletiva dos não artistas R$ 500,00 em
dinheiro para o pagamento da hora de trabalho dos participantes.
2)
Serão
necessários 10 conjuntos com pincéis e
tintas, 10 telas de 90X70 cm e 10 cavaletes de madeira R$ 1 000,00.
3)
15
lanches (sanduiches e refrigerantes) para oferecer após o trabalho aos
participantes e ao pessoa da equipe de trabalho R$150,00.
4)
Para o
vídeo captação da imagem, edição e finalização – cópias Valor R$ 5.000,00
Período de produção e captação de recursos: 60 dias - Julho a Agosto de 2012.
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