terça-feira, 3 de julho de 2012

retratos da anticidade

Terminal de ônibus de Joinville - cenário de muitos rostos e muitos trabalhadores que caminham apressados para o trabalho.

Praça da Bandeira - equipamento público, em frente ao Terminal de Ônibus - fundada em 1951, foi batizada de Praça dos Imigrantes, por abrigar monumento confeccionado pelo artista Fritz Alt. Esse será o local da Coletiva dos Não Artistas.

Quantas histórias há por trás desse carrinho de pipoca???


Muitos trabalhadores utilizam a Praça da Bandeira para caminhar, atravessar o centro, chegar ao terminal de ônibus, ou simplesmente, deixar o tempo passar, sentado no banco da praça.

Compro ouro! Como será a vida desse trabalhador ambulante, como será seu trabalho, como ele percebe a cidade? Será que a cidade o vê?



Jóias, quanta prata, quanto ouro, o que existe além do brilho do metal?
Retratos de quem vende, retratos de quem compra, como é trabalhar na cidade, na rua?


Torresmo, maçã do amor, milho verde, paçóquinha, amendoim, coco queimado, quantas guloseimas! quem os faz, de onde vem?

Como é trabalhar no centro de uma grande cidade, há respeito, igualdade e solidariedade?

Como são tratados os trabalhadores de rua, que muitas vezes invísiveis, tornam-se autistas socias, invisíveis no meio da multidão.

O trabalho na cidade, como o trabalhador vê a cidade.

Desde criança ouço o vendedor de picolé chegando nas minhas memórias. E essa senhora vendedora de picolé no centro da cidade, como a cidade a trata, a vê, a acolhe?


Quais os malabarismos do trabalhador palhaço?

A vendedora que não enxerga e vende balas no centro da cidade, e a cidade que acha que tudo vê, a percebe?

Em frente à Alameda Brutslein, ou Rua das Palmeiras, ou RDP - para a rapaziada do centro, nos tempos áureos lugar de gente rica, com posses, hoje, centro histórico em revitalização. E as pessoas, e a paisagem urbana, como revitalizamos aqueles que trabalham na cidade e para a cidade?

Churros docinhos e quentinhos, o doce de leite escorre pelos dedos das crianças. Quem faz, qual a relação que a cidade estabelece com o vendedor de churros? O que seria dele sem as crianças que passeiam com as mães pelo centro e pedem: quero  churros, mamãe! 

Algodão doce, como será a vida de quem trablha vendendo algodão doce, será alegre, leve e doce?

Por trás de cada barraquinha, uma história de vida, uma história de trabalho, de alegrias e tristezas, que a cidade aos poucos revela.

Maça do Amor, quem faz, quem compra, quais os sabores que a vida apresenta para quem vive na cidade vendendo doces?

Trimania, quem vende sorte, vive de sorte, de incertezas?

Um imã de geladeira, uma lembrancinha, um agrado, uma gentileza, isso é arte????? Talvez não seja, mas o que dona Marlene tem a falar sobre a cidade que vive e trabalha. Em uma coletiva de não artistas, nada é arte, tudo é arte, tudo é êfemero, tudo é eterno como um imã de geladeira.

Todas as fotos são de autoria de Giane Maria de Souza

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Coletiva de não artistas


Projeto cultural coletivamente financiado

Proponente: Giane Maria de Souza

Experiência urbana (mapeamento da cidade a partir de quem vive nela)

Coletiva dos não artistas

Uma ode a Baudelaire – o retrato da anticidade



Justificativa: O poeta maldito Baudelaire, quando caminhava pela cidade de Paris, via a capital francesa com os olhos de um estrangeiro, porque a mesma, ao mesmo passo que crescia e atraia muitos habitantes expulsava uma grande parcela da população. Assim, se criam nas grandes cidades, as anticidades repletas de mazelas sociais. Quem vive e trabalha na cidade, muitas vezes torna-se invisível ou estrangeiro dentro dela. Joinville, não difere das cidades que se espalham pelo mundo com seus poetas malditos, porém, este projeto privilegia aqueles, que muitas vezes são só considerados malditos, não são considerados poetas. Os trabalhadores de rua na sua batalha diária de sobrevivência são os maiores artistas da cidade. Por isso, uma coletiva de não artistas.

 Estratégia:

Público participante da experiência urbana: Serão convidados 10 trabalhadores de rua (pipoqueiros, prostitutas, vendedores de quinquilharias, pedintes, indígenas, catadores de papelão, garis, travestis entre outros personagens urbanos da cidade de Joinville.


A cada um deles será entregue uma tela 90X70 cm, pincéis e tintas e um cavalete. A praça da Bandeira, inaugurada em 1951 como Praça do Imigrante, foi durante muito tempo símbolo de progresso para a cidade de Joinville, nela será realizada uma experiência urbana de gente que não é, nem nunca pensou ou foi artista. Em distintas horas do dia, os trabalhadores retratarão a cidade em suas incongruências, labirintos, trejeitos, alegrias, tristezas, belezas entre outros olhares. Cada participante desenhará a cidade do jeito que a vê, do jeito que a sente, do jeito que a cidade lhe trata por intermédio da sua experiência urbana.
Trabalhadores informais ou formais, do centro da cidade, que ocupam diariamente funções muitas vezes invisiveis serão convidados para uma experiência urbana da Coletiva de Não Artistas e receberão no final da atividade uma recompensa. Não haverá preparação e antecedência programada, o que irá contribuir para a espontaneidade da atividade.
O resultado será a produção de um vídeo experimental que retratará a abordagem, processo de criação das obras e entrevistas com os personagens urbanos protagonistas da experiência urbana.








Roteiro da experiência urbana

8:h00 – Vendedor de milho;

09:h30 - Senhora que vende alho na frente da caixa econômica federal

10:h30 – Gari;

11:h30  - Mãe Guarani;

14:h00 -  Pipoqueiro

15h:30 –  Senhora que vende imãs de geladeiras;

16:h30 – Catador de papelão;

17:h30 – Senhora que vende trimania;

19:h00 – Prostituta;

20:h00 – Travestis.



Todas as obras da Coletiva dos não artistas serão expostas na Estação da Memória e leiloados posteriormente. O valor final custeará a produção de um documentário.

Logística:

1)    Será necessário para a produção da Coletiva dos não artistas R$ 500,00 em dinheiro para o pagamento da hora de trabalho dos participantes.

2)    Serão necessários  10 conjuntos com pincéis e tintas, 10 telas de 90X70 cm e 10 cavaletes de madeira R$ 1 000,00.

3)    15 lanches (sanduiches e refrigerantes) para oferecer após o trabalho aos participantes e ao pessoa da equipe de trabalho R$150,00.

4)    Para o vídeo captação da imagem, edição e finalização – cópias Valor R$ 5.000,00

Período de produção e captação de recursos: 60 dias  - Julho a  Agosto de 2012.