Terminal de ônibus de Joinville - cenário de muitos rostos e muitos trabalhadores que caminham apressados para o trabalho.
Praça da Bandeira - equipamento público, em frente ao Terminal de Ônibus - fundada em 1951, foi batizada de Praça dos Imigrantes, por abrigar monumento confeccionado pelo artista Fritz Alt. Esse será o local da Coletiva dos Não Artistas.
Quantas histórias há por trás desse carrinho de pipoca???
Muitos trabalhadores utilizam a Praça da Bandeira para caminhar, atravessar o centro, chegar ao terminal de ônibus, ou simplesmente, deixar o tempo passar, sentado no banco da praça.
Compro ouro! Como será a vida desse trabalhador ambulante, como será seu trabalho, como ele percebe a cidade? Será que a cidade o vê?
Jóias, quanta prata, quanto ouro, o que existe além do brilho do metal?
Retratos de quem vende, retratos de quem compra, como é trabalhar na cidade, na rua?
Torresmo, maçã do amor, milho verde, paçóquinha, amendoim, coco queimado, quantas guloseimas! quem os faz, de onde vem?
Como é trabalhar no centro de uma grande cidade, há respeito, igualdade e solidariedade?
Como são tratados os trabalhadores de rua, que muitas vezes invísiveis, tornam-se autistas socias, invisíveis no meio da multidão.
O trabalho na cidade, como o trabalhador vê a cidade.
Desde criança ouço o vendedor de picolé chegando nas minhas memórias. E essa senhora vendedora de picolé no centro da cidade, como a cidade a trata, a vê, a acolhe?
Quais os malabarismos do trabalhador palhaço?
A vendedora que não enxerga e vende balas no centro da cidade, e a cidade que acha que tudo vê, a percebe?
Em frente à Alameda Brutslein, ou Rua das Palmeiras, ou RDP - para a rapaziada do centro, nos tempos áureos lugar de gente rica, com posses, hoje, centro histórico em revitalização. E as pessoas, e a paisagem urbana, como revitalizamos aqueles que trabalham na cidade e para a cidade?
Churros docinhos e quentinhos, o doce de leite escorre pelos dedos das crianças. Quem faz, qual a relação que a cidade estabelece com o vendedor de churros? O que seria dele sem as crianças que passeiam com as mães pelo centro e pedem: quero churros, mamãe!
Algodão doce, como será a vida de quem trablha vendendo algodão doce, será alegre, leve e doce?
Por trás de cada barraquinha, uma história de vida, uma história de trabalho, de alegrias e tristezas, que a cidade aos poucos revela.
Maça do Amor, quem faz, quem compra, quais os sabores que a vida apresenta para quem vive na cidade vendendo doces?
Trimania, quem vende sorte, vive de sorte, de incertezas?
Um imã de geladeira, uma lembrancinha, um agrado, uma gentileza, isso é arte????? Talvez não seja, mas o que dona Marlene tem a falar sobre a cidade que vive e trabalha. Em uma coletiva de não artistas, nada é arte, tudo é arte, tudo é êfemero, tudo é eterno como um imã de geladeira.
Todas as fotos são de autoria de Giane Maria de Souza